Programação com IA

Guia completo do Claude Code: comandos, skills, MCPs e CLAUDE.md

Como instalar e usar o Claude Code: principais comandos, gestão de sessões, CLAUDE.md, skills, MCPs, permissões, hooks, subagentes e um fluxo de trabalho seguro.

Por Rafael Nunes Publicado em 9 min de leitura

Capa do guia completo do Claude Code
Neste artigo
  1. Instalação e primeira sessão
  2. Os comandos que você vai usar todos os dias
  3. Como gerenciar sessões
  4. CLAUDE.md: a memória do projeto
  5. Skills: ensine fluxos reutilizáveis
  6. MCPs: conecte ferramentas externas
  7. Permissões: defina os limites
  8. Hooks: regras que sempre rodam
  9. Subagentes: tarefas em contexto separado
  10. Modelo e nível de esforço
  11. Um fluxo de trabalho seguro
  12. Erros comuns
  13. Conclusão

O Claude Code é um agente de programação que trabalha direto no seu projeto: lê os arquivos, propõe e aplica alterações, roda testes e usa o Git, sempre dentro das permissões que você definir. Para quem aprende a configurá-lo, ele deixa de ser um chat e vira parte do fluxo de desenvolvimento.

Este guia reúne o que você precisa para começar e tirar proveito da ferramenta. As informações foram conferidas na documentação oficial em novembro de 2026. Como o produto muda rápido, use /help e a documentação para confirmar detalhes da sua versão.

Instalação e primeira sessão

Segundo o guia de início rápido:

# macOS, Linux e WSL
curl -fsSL https://claude.ai/install.sh | bash
# Windows (PowerShell)
irm https://claude.ai/install.ps1 | iex

Também há instalação por Homebrew (brew install --cask claude-code) e WinGet (winget install Anthropic.ClaudeCode). No Windows, a documentação recomenda o Git for Windows, para que o agente possa usar o Bash.

Depois, entre na pasta do projeto e inicie:

cd meu-projeto
claude --version
claude

Na primeira execução, será pedido o login. Comece com um pedido simples, como "explique a estrutura deste projeto".

Os comandos que você vai usar todos os dias

Dentro de uma sessão, digite / para ver os comandos disponíveis. Veja a lista completa. Os principais:

Comando Para que serve
/help Mostra a ajuda e os comandos disponíveis
/init Cria um CLAUDE.md para o projeto
/memory Edita arquivos CLAUDE.md e a memória automática
/clear Começa uma nova conversa, com contexto vazio
/compact Resume a conversa para liberar contexto
/context Mostra o uso do contexto em uma grade colorida
/resume Retoma uma sessão anterior
/rewind Volta a conversa ou o código para um ponto anterior
/model Troca o modelo
/effort Define o nível de esforço do modelo
/permissions Gerencia as regras de permissão
/mcp Gerencia conexões MCP
/hooks Mostra os hooks configurados
/skills Lista as skills disponíveis
/diff Revisa as alterações no diretório de trabalho
/code-review Revisa o diff em busca de bugs (/review é um alias)
/security-review Analisa as alterações da branch em busca de vulnerabilidades
/usage Mostra custo, limites do plano e estatísticas (/cost é um alias)
/plan Entra no modo de planejamento
/doctor Verifica a instalação e a configuração

Guias antigos podem citar comandos que mudaram de nome ou foram removidos, então prefira sempre a lista da sua versão.

Como gerenciar sessões

Pelo terminal, segundo a referência da CLI:

claude -c                     # retoma a conversa mais recente da pasta
claude -r "nome-da-sessao"    # retoma uma sessão específica
claude -n "refatorar-login"   # dá um nome à sessão
claude -p "explique este erro"  # executa uma única consulta e sai

O modo -p é útil em scripts e automações.

Dica sobre contexto: conversas longas acumulam informação irrelevante. Use /clear ao mudar de tarefa e /compact para resumir sem perder o fio. Com /context, você vê o que está ocupando espaço.

CLAUDE.md: a memória do projeto

O CLAUDE.md é carregado no início das conversas e deve conter o que o agente precisa saber sempre. Rode /init para gerar uma primeira versão e depois edite.

Onde ficam, segundo a documentação de memória:

  • ~/.claude/CLAUDE.md: preferências pessoais para todos os projetos.
  • ./CLAUDE.md ou ./.claude/CLAUDE.md: regras do projeto, compartilhadas com a equipe.
  • ./CLAUDE.local.md: preferências pessoais do projeto, que devem ficar no .gitignore.

Exemplo:

# Loja API

## Comandos
- Testes: `dotnet test`
- Lint: `dotnet format --verify-no-changes`

## Convenções
- Regras de negócio ficam em `src/Application`
- Toda consulta ao banco usa parâmetros
- Não altere migrações já aplicadas

## Antes de concluir
- Rode os testes e informe o resultado

Boas práticas:

  • Mantenha cada arquivo com menos de 200 linhas, como recomenda a documentação.
  • Escreva instruções específicas e verificáveis.
  • Use @caminho/arquivo.md para importar outros arquivos.
  • Mova regras de áreas específicas para .claude/rules/.
  • Coloque procedimentos longos em skills, que só são carregadas quando necessárias.

Skills: ensine fluxos reutilizáveis

Uma skill é uma pasta com um arquivo SKILL.md, com instruções que o agente carrega quando você chama /nome-da-skill ou quando a descrição indica que ela é relevante.

Onde criar:

  • .claude/skills/nome/SKILL.md: no projeto, para compartilhar com a equipe via Git.
  • ~/.claude/skills/nome/SKILL.md: pessoal, para todos os seus projetos.

Exemplo em .claude/skills/nova-release/SKILL.md:

---
name: nova-release
description: Prepara uma nova versão: testes, changelog e tag
disable-model-invocation: true
---

1. Rode a suíte de testes e pare se algo falhar.
2. Liste os commits desde a última tag.
3. Atualize o CHANGELOG.md, agrupando por tipo de mudança.
4. Mostre o resultado e peça confirmação antes de criar a tag.

Com disable-model-invocation: true, a skill só roda quando você a chama, o que é recomendado para ações com efeitos reais, como um deploy. Arquivos de apoio (reference.md, scripts/) podem ficar na mesma pasta.

E os comandos personalizados? A documentação informa que foram incorporados às skills. Arquivos em .claude/commands/ continuam funcionando, mas, para trabalhos novos, a recomendação é usar skills.

MCPs: conecte ferramentas externas

O Model Context Protocol é um padrão aberto para conectar agentes de IA a ferramentas e dados. Com MCP, o Claude Code pode consultar issues, documentos e bancos de dados.

Como adicionar, segundo a documentação de MCP:

# Servidor remoto (HTTP, a opção recomendada)
claude mcp add --transport http notion https://mcp.notion.com/mcp

# Servidor local (stdio): o -- separa as opções do comando do servidor
claude mcp add --env AIRTABLE_API_KEY=SUA_CHAVE --transport stdio airtable -- npx -y airtable-mcp-server

# Gerenciar
claude mcp list
claude mcp get notion
claude mcp remove notion

Dentro da sessão, /mcp mostra o estado das conexões e cuida da autenticação.

Escopos:

Escopo Onde fica Quem usa
local (padrão) ~/.claude.json Só você, neste projeto
project .mcp.json na raiz A equipe, via Git
user ~/.claude.json Só você, em todos os projetos

Use --scope project para compartilhar. Exemplo de .mcp.json:

{
  "mcpServers": {
    "documentacao": {
      "type": "http",
      "url": "https://example.com/mcp"
    }
  }
}

Cuidado: instale apenas servidores de fontes confiáveis. Um MCP pode ler dados e executar ações em seu nome, e conteúdos externos podem conter instruções maliciosas. Nunca coloque tokens diretamente em um .mcp.json versionado.

Permissões: defina os limites

As configurações ficam em:

  • ~/.claude/settings.json: pessoais.
  • .claude/settings.json: do projeto, compartilhadas.
  • .claude/settings.local.json: pessoais no projeto.

Exemplo de regras que liberam comandos seguros e protegem segredos:

{
  "permissions": {
    "allow": [
      "Bash(npm run lint)",
      "Bash(npm run test *)"
    ],
    "deny": [
      "Read(./.env)",
      "Read(./.env.*)"
    ]
  }
}

Hooks: regras que sempre rodam

Instruções no CLAUDE.md são orientações. Quando algo precisa acontecer sempre, use hooks: comandos que o Claude Code executa em pontos específicos do ciclo de trabalho, como PreToolUse, PostToolUse, SessionStart e Stop.

Exemplo que formata cada arquivo editado:

{
  "hooks": {
    "PostToolUse": [
      {
        "matcher": "Edit|Write",
        "hooks": [
          {
            "type": "command",
            "command": "jq -r '.tool_input.file_path' | xargs npx prettier --write"
          }
        ]
      }
    ]
  }
}

Em um hook PreToolUse, o código de saída 2 bloqueia a ação, o que serve, por exemplo, para proteger arquivos sensíveis.

Subagentes: tarefas em contexto separado

Subagentes são assistentes especializados com contexto próprio, o que mantém a conversa principal limpa. Eles ficam em .claude/agents/ (projeto) ou ~/.claude/agents/ (pessoal):

---
name: revisor
description: Revisa código em busca de bugs e problemas de qualidade
tools: Read, Glob, Grep
---

Revise as alterações indicadas e liste os problemas por gravidade,
com arquivo, linha e sugestão de correção. Não edite arquivos.

Limitar tools a ferramentas de leitura garante que o revisor não altere nada.

Modelo e nível de esforço

Use /model para escolher o modelo e /effort para definir o esforço (low, medium, high, xhigh ou max, conforme o modelo). A documentação atual trata o assunto por níveis de esforço, e não por palavras-chave. Na prática:

  • Esforço menor: tarefas simples e repetitivas, com menos custo.
  • Esforço maior: arquitetura, bugs difíceis e refatorações amplas.

Um fluxo de trabalho seguro

  1. Comece limpo: crie uma branch e use /clear ao trocar de tarefa.
  2. Planeje: use /plan em tarefas maiores e revise o plano antes de executar.
  3. Peça com contexto: objetivo, arquivos envolvidos e como validar.
  4. Valide: peça que rode os testes e informe o resultado.
  5. Revise: use /diff, /code-review e, em mudanças sensíveis, /security-review.
  6. Leia antes do commit: a responsabilidade pelo código continua sendo sua.

Para trabalhar em tarefas paralelas sem conflito, use git worktree e abra uma sessão em cada pasta.

Erros comuns

  • CLAUDE.md gigante: quanto maior, menor a chance de tudo ser seguido. Corte e mova para skills.
  • Liberar tudo por comodidade: mantenha aprovação para comandos destrutivos.
  • Nunca limpar o contexto: a qualidade cai em conversas longas e sem foco.
  • Aceitar sem revisar: código gerado pode ter falhas. Veja os riscos de segurança do código gerado por IA.
  • Instalar MCPs desconhecidos: avalie a fonte e as permissões.

Conclusão

O Claude Code rende mais quando recebe boa configuração: um CLAUDE.md enxuto, skills para fluxos repetidos, MCPs para as ferramentas certas, permissões claras e hooks para o que não pode falhar. Comece com /init, adicione uma coisa de cada vez e ajuste conforme o uso. Para comparar com outras opções, veja Cursor vs GitHub Copilot vs Claude Code.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre skill e MCP?

Uma skill ensina um procedimento ao agente, como um roteiro de deploy ou um padrão de revisão, usando um arquivo SKILL.md. Um MCP conecta o agente a ferramentas e dados externos, como GitHub, Notion ou um banco de dados. Muitas vezes, uma skill usa as ferramentas oferecidas por um MCP.

Comandos em .claude/commands ainda funcionam?

Sim. A documentação informa que os comandos personalizados foram incorporados às skills: um arquivo em .claude/commands/deploy.md e uma skill em .claude/skills/deploy/SKILL.md criam o mesmo /deploy. Para trabalhos novos, a recomendação é preferir skills.

O Claude Code é gratuito?

Ele exige uma conta com plano pago do Claude ou o uso da API, cobrado por consumo. Planos e limites mudam com frequência, então confira as condições nas páginas oficiais. O comando /usage mostra o custo da sessão e os limites do plano.

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Rafael Nunes dos Santos
Quem escreve

Rafael Nunes dos Santos

Desenvolvedor full stack especializado em .NET e pós-graduado em Arquitetura de Sistemas .NET pela FIAP, com experiência em logística (TMS e EDI), APIs, integrações, SaaS, apps em Flutter e React Native e jogos em Unity. Desenvolve com IA no dia a dia e escreve sobre o que aprende construindo software em produção.